Eles gostam é dos pecados
Difícil imaginar que uma pessoa que precisou de cotas vote contra as cotas, não é mesmo? Mas, no Brasil, isso existe.
Existe também quem tenha acabado de se beneficiar do Minha Casa, Minha Vida, mas vote veementemente contra as pautas do presidente Lula e da esquerda porque, certamente, acredita não precisar de um governo para conquistar seus bens.
Existe até deputada mulher, eleita com quase 2 milhões de votos, que é contra o voto feminino, mas a favor do próprio voto e da própria candidatura. Ou seja: beneficia-se justamente desse voto que diz ser contra. Fico me perguntando o porquê de tanta contradição e não chego a nenhuma conclusão — tamanha é a minha ignorância.
Existe também o pobre que, assim que melhora um pouquinho o padrão de vida, acha que está muito acima de onde realmente está: soberba.
Ou também o sonho do oprimido: oprimir o opressor. Já diria Paulo Freire, terror da extrema-direita conservadora.
Também surgiu um fenômeno: uma cidade eleger uma deputada que passa o tempo “lacrando” nas redes sociais, que nunca pisou na cidade, mas não eleger uma que trouxe milhões de reais em recursos. Paradoxos são mais fáceis de compreender do que essa traição.
Dizem que é a onda do ódio. Ódio de quem, pergunto-me. Não podemos chamar de ira?
Ou talvez seja um ódio da classe à qual pertencem: “Sou classe média, sou medíocre, mas quero votar como se fosse milionário.”
Não é à toa que pessoas que têm MEI tenham medo de que as grandes empresas sejam taxadas. Uma fantasia acima de qualquer normalidade. Afinal, de quais empresas será que estamos falando? Talvez da grande empresa que eles gostariam de ter. A do Roberto Justus. Chamamos isso de avareza.
O pobre que melhora de vida passa a odiar a classe à qual pertencia. Passa a ter raiva de quem também está conquistando algo. É como se mais ninguém pudesse melhorar de vida. Só ele.
E quem não precisou de benefícios do governo também tem ódio de quem precisou. É a velha história: “Eu não tive ajuda e consegui. Logo, todo mundo consegue.”
Egoísmo, será? Ou talvez comecemos a falar de outro sentimento: a inveja.
Você há de convir, querido leitor, que são muitos pecados capitais para quem se diz conservador e temente a Deus.
