Vai chorar até quando?
Perdoem-me os que pensam o contrário, mas estamos vivendo uma situação que beira o ridículo.
De um lado — só para relembrar o passado — tínhamos o Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, que – após a ordem de prisão em 2018, não derramou uma lágrima; não fingiu passar mal; não teve crises de soluço nem choramingou alegando problemas de saúde. E há um detalhe que não é bem um detalhe: Lula havia enfrentado um câncer anos antes. Ainda assim, manteve-se firme. Já preso; confinado; permaneceu até os últimos dias. Não aceitou prisão domiciliar, muito menos tornozeleira eletrônica. Dizia: “Não troco minha dignidade pela minha liberdade.”
Honrou o que disse.
Do outro lado, temos o senhor Jair Messias Bolsonaro, pseudoatleta e “grande capitão” que, desde o princípio, demonstrou uma saúde frágil: dificuldade para realizar um simples agachamento, por exemplo. Passar vergonha tornou-se rotina. Hoje, não apenas se mostra abatido, como estampa a mesma expressão até ao lado de dona Michelle Bolsonaro.
Parece que a família não dispõe da mesma resiliência do presidente Lula, que participou, inclusive, da vigília em frente à Polícia Federal, em Curitiba.
E vejam: não entro no mérito da condenação — se foi justa ou não. Falo, aqui, da diferença de comportamento entre dois homens que viveram situações semelhantes em épocas distintas. Bolsonaro, em plena pandemia, perguntou até quando iríamos choramingar feito “maricas”. Agora, devolvemos a pergunta: que terra é essa de “marica”?
“Marica”, no singular, porque se trata da antiga “Vossa Excelência” — única e exclusiva na história do Brasil.
