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Japão quer substituir rótulos de alimentos por QR codes até 2027

Novo sistema permitirá acesso a informações detalhadas, receitas e traduções pelo celular; implementação está prevista para 2027

Divulgação

A Agência de Assuntos do Consumidor do Japão anunciou que trabalha na criação de um novo sistema de rotulagem digital para alimentos processados. A proposta permitirá que consumidores escaneiem QR codes nas embalagens para acessar, em páginas online, informações detalhadas sobre os produtos.

A implementação está prevista para o fim do ano fiscal de 2027 e surge como resposta ao aumento das exigências de informações obrigatórias nos rótulos físicos. Segundo a agência, o excesso de dados impressos vem tornando as embalagens mais poluídas visualmente e difíceis de ler.

Com a adoção da tecnologia digital, o governo japonês pretende melhorar a acessibilidade das informações sem comprometer a clareza das embalagens. A iniciativa acompanha uma tendência internacional de digitalização do setor alimentício.

O projeto segue diretrizes definidas em 2024 pela Comissão do Codex Alimentarius, referência internacional em normas alimentares. As regras estabelecem que informações essenciais de segurança e nutrição não podem depender exclusivamente de meios digitais e devem continuar disponíveis fisicamente nas embalagens.

Para avaliar a nova política, a agência criou um subcomitê de especialistas responsável por discutir estratégias de rotulagem digital. O grupo concluiu que a adesão ao sistema deve ser opcional para as empresas.

Duas formas de acesso aos dados estão em análise. Na primeira, o consumidor escaneia o QR code e é direcionado imediatamente à página do produto. Na segunda, será necessário inserir informações como número do lote ou data de validade antes da visualização completa dos dados.

Além de reduzir a quantidade de texto nas embalagens, o sistema permitirá ampliar letras e traduzir informações para outros idiomas, facilitando o acesso para idosos e estrangeiros residentes no Japão.

As páginas digitais também poderão oferecer conteúdos extras, como vídeos de receitas, instruções de preparo e sugestões de consumo, ampliando a experiência do consumidor além das exigências regulatórias tradicionais.

Para fabricantes e empresas do setor alimentício, a medida promete trazer mais flexibilidade na atualização de informações, especialmente em situações envolvendo mudanças na origem de matérias-primas ou problemas na cadeia internacional de fornecimento.

O governo acredita ainda que o sistema ajudará a reduzir recalls causados por informações incorretas ou desatualizadas nas embalagens físicas, além de melhorar os processos de rastreabilidade dos produtos.

As empresas deverão armazenar os dados em bancos digitais e manter registros das alterações realizadas ao longo do tempo. A Agência de Assuntos do Consumidor informou que começará a elaborar diretrizes oficiais com regras sobre armazenamento, atualização e gerenciamento das informações.

As futuras normas também vão definir quais dados precisarão continuar impressos nas embalagens e quais poderão migrar para o ambiente digital. Segundo a agência, anúncios comerciais poderão aparecer nas plataformas online, mas em áreas separadas das informações obrigatórias para evitar confusão entre publicidade e conteúdo regulatório.

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