Quase metade das idosas no Japão prefere pedir conselhos à IA em vez de pessoas
Pesquisa aponta que mulheres entre 60 e 70 anos se sentem mais confortáveis conversando com inteligência artificial sobre conflitos pessoais
Uma pesquisa realizada no Japão revelou um dado que chamou a atenção de especialistas: quase metade das mulheres idosas do país prefere recorrer à inteligência artificial, em vez de conversar com outras pessoas, ao buscar conselhos sobre problemas interpessoais.
O levantamento foi conduzido pelo Japan Institute for Promotion of Digital Economy and Community e ouviu moradores do Japão entre 18 e 79 anos por meio de uma pesquisa online realizada em janeiro deste ano.
Entre as mulheres na faixa dos 60 e 70 anos, 47,8% afirmaram preferir consultar sistemas de IA ao lidar com conflitos pessoais ou questões emocionais. Já 37,3% disseram se sentir mais confortáveis buscando orientação com outras pessoas.
O resultado destoou das demais faixas etárias analisadas, nas quais o contato humano ainda apareceu como a principal escolha para conselhos considerados imparciais ou objetivos.
No resultado geral da pesquisa, 45,8% dos participantes disseram preferir conversar com pessoas, enquanto 36,5% optaram pela inteligência artificial. Outros 17,7% afirmaram não saber qual alternativa escolher ou disseram não ter preferência.
Entre os homens entrevistados na mesma faixa etária das mulheres idosas, o cenário foi diferente. Nesse grupo, 57% afirmaram preferir buscar aconselhamento com pessoas, enquanto apenas 25,2% disseram confiar mais na IA.
O pesquisador Atsushi Nakagomi, que estuda a relação entre inteligência artificial e saúde humana na University of Chiba, afirmou ter ficado surpreso com o resultado envolvendo as mulheres mais velhas.
Segundo ele, a IA pode transmitir uma sensação maior de segurança emocional para quem deseja desabafar sem medo de julgamentos.
“A inteligência artificial faz com que as pessoas se sintam mais à vontade para se abrir, já que elas podem conversar sem se preocupar com a forma como serão interpretadas”, explicou Nakagomi.
Ao todo, a pesquisa reuniu 1.449 respostas válidas em diferentes regiões do Japão.
