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Brasileiros no Japão – Pesquisa revela tendências dos brasileiros no Japão

Neste capítulo final da série, apresentamos os resultados de uma pesquisa inédita sobre os estrangeiros no Japão, realizada pelo governo japonês. Ela inclui muitos dados sobre os residentes brasileiros. Os números revelam tendências como o prolongamento da estadia no país, o grau de satisfação em relação à vida no Japão e o nível de conhecimento da língua japonesa.
(Este capítulo faz parte da série especial “Brasileiros no Japão” produzida para o Ponto de Encontro, e foi transmitido originalmente em 5 de março de 2023.)

Radiografia dos estrangeiros residentes

Ewerthon: E agora, Sonia, chegou a hora do segmento mensal “Brasileiros no Japão”, com o nosso colega Angelo Ishi!

Angelo: Olá Ewerthon, olá Sonia e olá ouvintes!

Sonia: Olá, Angelo. No episódio anterior você nos falou sobre o estilo de vida transnacional e multicultural dos brasileiros que vivem no Japão. Mas antes de sabermos qual vai ser o tema de hoje, deixa eu entender uma coisa, a produção me avisou que hoje vai ser o último capítulo do seu segmento “Brasileiros no Japão”?

A: É isso mesmo, Sonia, hoje vai ser o último programa “Brasileiros no Japão”, porque nesses dois anos, já conseguimos fazer um retrospecto das 3 décadas de presença brasileira neste país.

E: Nossa, Angelo, vai ser uma pena mesmo, porque os tópicos que você trouxe nos ajudaram a conhecer muitos detalhes da história da migração no eixo Brasil-Japão! E para encerrar com chave de ouro, o que você preparou para a gente hoje?

A: Então, Ewerthon, hoje eu vou falar de uma pesquisa que serve para comparar a situação dos brasileiros com a dos outros estrangeiros que moram aqui no Japão. E não é uma pesquisa acadêmica, ela foi feita pelo governo japonês, mais exatamente a Agência de Imigração, ligada ao Ministério da Justiça. É que o governo lançou em 2018 o “programa abrangente para construção de uma sociedade de coexistência com os estrangeiros”. E no contexto desse programa, decidiu radiografar a situação dos estrangeiros no Japão, para poder compilar as políticas com dados concretos.

S: Interessante, Angelo, depois de 30 anos do fenômeno dekassegui até que enfim o governo japonês fez essa pesquisa! Antes tarde do que nunca.

A: Pois é, Sonia, e eu tive a honra de integrar a equipe de consultoria acadêmica da pesquisa, composta por 5 professores, desde a edição inaugural de 2020. Estamos, neste momento, colhendo os dados do terceiro ano de pesquisa, mas já temos o relatório do segundo ano, quer dizer, de 2021. Para você ter uma ideia da dimensão dela, foram enviados 40 mil questionários para estrangeiros de diversas nacionalidades, em números proporcionais à população de cada nacionalidade. Por exemplo, os chineses representam 26,4% do total de estrangeiros no Japão, então foram enviados 10.561 questionários. Os brasileiros representam 7,3% do total, então foram enviados questionários para 2.923 brasileiros (7,3% do total de 40 mil questionários). Uma pesquisa quantitativa dessas proporções é inédita. E apesar de apenas 914 brasileiros terem respondido, os dados foram suficientes para se fazer muitas comparações com as outras comunidades.

Filipinos atuando na área de cuidados de idosos: coexistência com os estrangeiros tem recebido mais atenção

Grau de satisfação

E: E quais foram os resultados, Angelo?

A: Então, Ewerthon, uma surpresa foram as respostas sobre o grau de satisfação em relação à vida no Japão. A soma dos “satisfeitos” e dos “relativamente satisfeitos” totalizou 87,8%. Os mais satisfeitos com a vida no Japão são os filipinos (68% responderam que estão satisfeitos) e os americanos, com 62%. E os menos satisfeitos são os taiwaneses e chineses: só 35,8% e 36,1% responderam que estão satisfeitos.

S: E os brasileiros, Angelo?

A: Olha, Sonia, os brasileiros estão bem na média: 52% “satisfeitos”, 35,6% “relativamente satisfeitos”, 5,6% “relativamente insatisfeitos”, 1,5% “insatisfeitos”, e 5,4% responderam “não sei”.

E: Acho que esse número reflete o que a gente sente conversando com os brasileiros… E quais são os outros números que vocês obtiveram, Angelo?

Crianças brasileiras jogam futebol no conjunto habitacional Homi Danchi, em Toyota (província de Aichi)

Como educar os filhos

A: Então, Ewerthon, quanto à criação dos filhos, 22,1% dos estrangeiros se preocupam com o fato de que “os filhos não estão com conhecimento suficiente da língua e cultura do seu país de origem”. Mas o destaque é que, entre os brasileiros, só 7,4% estão sentindo este problema –– o número mais baixo entre todas as nacionalidades (por exemplo, 33,2% dos pais chineses estão preocupados com a questão). Aí fica a dúvida sobre como interpretar esses números: será um sinal de que os pais brasileiros estão conseguindo fazer os seus filhos manterem a língua e cultura de herança, ou na verdade esse número apenas mostra que os pais brasileiros não estão dando muita bola para essa questão, mesmo com os filhos se afastando da língua portuguesa e da cultura verde-amarela?

Brazilian Day Gunma 2024: cultura brasileira em terras japonesas

S: É, Angelo, realmente depende de como interpretamos os números né? Imagino que vocês também tenham colhido dados sobre o conhecimento da língua japonesa?

A: Bem lembrado, Sonia, no item “capacidade de conversação em língua japonesa”, mais de metade dos coreanos (54,8%) responderam que podem se comunicar tranquilamente, ao passo que só 19,8% dos brasileiros marcaram essa opção. O relatório destaca que 8,4% dos brasileiros não conseguem falar quase nada de nihongo –– o pior índice entre todas as nacionalidades (por exemplo, só 1,8% dos vietnamitas marcaram essa última opção). Havia 7 níveis de nihongo para marcar, e essas pessoas marcaram como sendo do sétimo nível (o mais baixo). A mesma tendência se repetiu em relação à leitura e escrita. Será que o nihongo dos brasileiros está tão ruim, ou foram severos demais na autoavaliação? 

E: É Angelo, talvez os dados do terceiro ano, que vocês estão colhendo agora, ajudem a esclarecer o significado desses números…

Redes sociais

A: Também espero, Ewerthon. Agora, um dado que me surpreendeu foi o da pergunta “por quais redes sociais você quer receber informações da prefeitura e do governo”. Eu previa que a maioria dos brasileiros responderia WhatsApp, mas 74,8% marcaram Facebook, e só 35,3% marcaram WhatsApp –– até menos do que o LINE (39,0%). Uma explicação possível para esse resultado é que a faixa etária dos respondentes brasileiros tenha sido relativamente alta, mas ainda é cedo para tirar conclusões apressadas.

S: Mas de todo modo, é interessante ver que tem tanto brasileiro aderindo ao LINE, que é a rede social mais popular no Japão!

A: Concordo, Sonia! E prosseguindo para outro tópico, na pergunta “que tipo de informação você acha importante para viver no Japão sem passar por problemas”, a resposta mais escolhida pelos estrangeiros foi “impostos” (57,1%), seguida de “aposentadoria e seguro social” (56,9%). 42,9% responderam que “não entendo direito os detalhes do sistema de aposentadoria”.
    E diante da pergunta “qual o seu maior problema no trabalho”, 35,6% responderam que “o salário é baixo demais”. Esse número é um pouquinho maior do que a primeira pesquisa feita no ano anterior, quando deu 34%. E 5,7% dos respondentes não têm wi-fi particular (pago), e precisam recorrer aos wi-fi gratuitos para se conectar à internet.

Os meios de comunicação usados são bem variados

A: Sobre as remessas, quase metade dos estrangeiros envia menos de 50 mil ienes (aproximadamente 370 dólares) por mês para o seu país. Mas é significativo que 7,8% estejam enviando mais de 150 mil ienes por mês. Sobre a renda, é preocupante que 18% dos respondentes estejam se virando com menos de 2 milhões de ienes anuais. Isso dá uma média abaixo de 166 mil ienes mensais, que é pouco para as pessoas encararem o alto custo de vida do Japão.

E: É realmente um material bem rico para ser analisado, hein, Angelo?

A: Sim Ewerthon! Só que como o tempo esgotou hoje, vou ter que parar por aqui.

S: Olha, Angelo, esse seu segmento vai deixar saudades…

A: Obrigado, Sonia! Mas na verdade ainda há muitos tópicos interessantes, então eu terei todo o prazer em aparecer por aqui de vez em quando!

S: É isso aí, Angelo.

A: Valeu, Sonia, Ewerthon, valeu ouvintes, então até uma próxima, pessoal!

Fonte: NHK World

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