Chinelo Havaianas: do conserto ao descarte proposital.
De um lado, dona Lindalva*, que leva uma vida extremamente simples, marcada por muita escassez, e coloca um prego no chinelo de dedo para não precisar comprar outro. Do outro, os alienados que pedem que as pessoas cortem, rasguem e estraguem suas Havaianas, pois — para eles — trata-se de uma marca associada à esquerda.
Isso realmente é a cara do Brasil, que samba (literalmente) na cara da desigualdade social e ainda acha o máximo.
O radicalismo tomou conta. Mas não é só o radicalismo: é a insensibilidade. Quando vemos um vídeo como o de dona Lindalva (disponível no YouTube), percebemos que temos muito — talvez muito mais do que precisamos. E, quando assistimos a um vídeo de alguém “recortando” e estragando um chinelo Havaianas, que poderia até ser doado, damos de cara com a imbecilidade humana. Principalmente porque o ato de estragá-lo, segundo eles, é exatamente para que ninguém mais o utilize.
Dói saber que, se dona Lindalva mexesse nesse lixo, “consertaria” a Havaiana com um prego e a usaria por um bom tempo.
Talvez o problema não esteja no chinelo, na marca ou na ideologia, mas na incapacidade de enxergar o outro. Enquanto alguns rasgam propositalmente, outros remendam por necessidade. E é nesse abismo — entre o excesso e a falta — que o Brasil continua tropeçando.
*Vídeo disponível em: https://youtu.be/Fb_Z-Ty1Eh4?si=U34e6g2iPvrbLUup
