Ele é gay, mas é discreto.
Essa frase assusta ou tranquiliza? Apesar de todos saberem que as relações homoafetivas são milenares, há quem pense que elas tenham se multiplicado nos últimos tempos. Acredito até que, se for lançada uma fake news dizendo que há atualmente — na água — uma solução que está “homossexualizando” as pessoas, uma parcela da sociedade acreditará.
A frase “Ele é gay/lésbica, mas é discreto(a)…” é muito utilizada por pessoas que até toleram a homossexualidade, mas desde que esses gays e lésbicas reprimam suas vidas pessoais — principalmente em público.
Na verdade, não defendem a discrição. Defendem a opressão.
Em outras palavras, elas até suportam os gays, mas desde que não demonstrem afeto em público, porque isso não cai bem em uma sociedade heteronormativa que “respeita” a família tradicional brasileira. Não importa se essa família tradicional aceita uma amante, por exemplo. Isso é um detalhe. O importante é o que parece ser, e não o que é de fato.
Além disso, é claro que não se cobra o mesmo do heterossexual, pois esse é visto como padrão, normal, comum.
Portanto, é preciso deixar claro que tudo aquilo que não se cobra de um heterossexual, mas se cobra de um homossexual, precisa ser repensado. Veja: você pediria o mesmo a um hétero? Não? Então talvez seja homofobia.
É preciso desaprender os padrões que construímos e os preconceitos que aprendemos ao longo de nossas vidas. Talvez esse seja o caminho.
