Estudantes japoneses criticam regras escolares sobre cabelo, uniforme e até roupa íntima
Pesquisa aponta que maioria dos alunos não recebe explicações sobre normas consideradas excessivas
Uma pesquisa realizada pela Jukusen, plataforma japonesa de comparação e diretório de cursinhos, revelou insatisfação de estudantes do ensino médio no Japão com regras escolares consideradas rígidas ou sem sentido. O levantamento ouviu 104 alunos em diferentes regiões do país. Segundo o estudo, 56,7% dos entrevistados afirmaram discordar de normas adotadas por suas escolas.
Entre os estudantes que demonstraram insatisfação, cerca de 70% disseram nunca ter recebido explicações sobre o motivo das regras. A restrição a penteados e à cor do cabelo foi a norma mais criticada, mencionada por 54,8% dos participantes. Muitos estudantes afirmaram considerar excessivo o controle sobre a aparência e disseram que as regras priorizam a padronização em detrimento da individualidade.
Em seguida apareceu a proibição de cuidar das sobrancelhas, citada por 48,1% dos alunos. Parte dos entrevistados afirmou que a medida pode afetar a autoestima de estudantes inseguros com a própria aparência. As exigências relacionadas ao uso do uniforme escolar foram mencionadas por 42,3% dos participantes. Houve reclamações sobre regras detalhadas e aplicação desigual entre os estudantes.
Normas sobre cor, comprimento e desenho das meias foram apontadas por 39,4% dos entrevistados. Já as restrições ao uso de smartphones apareceram em 36,5% das respostas. Muitos alunos disseram concordar com a proibição durante as aulas, mas consideram exagerado impedir o uso nos intervalos ou em eventos escolares, quando desejam se comunicar ou tirar fotografias.
A pesquisa também registrou críticas a regras envolvendo cor de roupa íntima, mencionada por 36,5% dos estudantes, além de restrições relacionadas a bolsas escolares, suéteres, cardigãs, casacos e cachecóis, todos citados por 34,6%.
Outras normas consideradas excessivas incluem proibição de protetor solar e protetor labial, lembrada por 31,7% dos entrevistados, limite para quantidade de chaveiros, com 30,8%, e veto a paradas durante o trajeto de volta para casa, citado por 27,9%.
O levantamento identificou ainda regras consideradas incomuns pelos estudantes, como a exigência de que meninas utilizem meia-calça de 80 deniers ou mais em cerimônias de formatura, a obrigação de dizer “obrigado” pelo menos dez vezes por dia dentro da escola e a proibição da criação de clubes de música.
