Honda registra primeiro prejuízo operacional desde 1957
A Honda anunciou seu primeiro prejuízo operacional desde 1957, totalizando 414,3 bilhões de ienes, devido a custos com a reestruturação de veículos elétricos.
A Honda anunciou na quinta-feira (14) o seu primeiro prejuízo operacional desde 1957, resultado de uma profunda reestruturação em sua estratégia de veículos elétricos (VEs) nos Estados Unidos.
A segunda maior montadora do Japão, atrás apenas da Toyota, informou que o prejuízo operacional do ano passado atingiu 414,3 bilhões de ienes, decorrente de pesados encargos contábeis em suas operações de elétricos.
A empresa também reportou um prejuízo líquido de 423,9 bilhões de ienes. Segundo a Bloomberg News, este é o primeiro resultado negativo desde que a companhia começou a divulgar seus balanços consolidados em 1977.
Para o ano corrente, a Honda projeta um lucro líquido de 260 bilhões de ienes e um lucro operacional de 500 bilhões de ienes, números que superaram as expectativas do mercado e fizeram suas ações subirem quase oito por cento em determinado momento.
Impactos da estratégia e cenário global
Em março, a Honda anunciou o cancelamento do lançamento e do desenvolvimento de certos modelos elétricos nos Estados Unidos, o que resultou em encargos de 2,5 trilhões de ienes.
A montadora atribuiu o cenário a uma “mudança na política governamental” da administração do presidente dos EUA, Donald Trump, incluindo tarifas de importação e o fim de incentivos fiscais para compradores de veículos elétricos.
Além disso, a empresa citou uma “queda na competitividade” de seus produtos na China e em outros países asiáticos.
Outras montadoras japonesas também enfrentam dificuldades, pressionadas por tarifas dos EUA, pela guerra no Oriente Médio e pela concorrência acirrada de rivais chinesas.
A Toyota, maior montadora do mundo em volume de vendas, previu na semana passada uma queda de 22 por cento no lucro líquido para este ano fiscal.
A Nissan, que está fechando fábricas e cortando milhares de empregos, reportou na quarta-feira (13) um prejuízo líquido de 3,4 bilhões de dólares, mas previu um retorno ao lucro.
O Japão concordou em investir 550 bilhões de dólares nos Estados Unidos até 2029 em troca da redução de tarifas ameaçadas de 25 por cento para 15 por cento.
As promessas permanecem válidas mesmo após a Suprema Corte dos EUA ter derrubado as tarifas globais do presidente Donald Trump em fevereiro e ele ter imposto uma nova taxa geral de 10 por cento.
Fonte: JT
