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Japão registra quase 77 mil mortes solitárias em 2025

Mais de 22 mil corpos foram encontrados somente após oito dias ou mais da morte

Getty Images

O Japão registrou ao menos 76.941 casos de pessoas que morreram sozinhas dentro de casa em 2025, segundo dados divulgados pela Agência Nacional de Polícia do Japão. Em 22.222 ocorrências, os corpos foram encontrados apenas oito dias ou mais após a morte, critério adotado pelo governo como referência para caracterizar as chamadas mortes isoladas.

O relatório mais recente foi publicado em 14 de abril e aponta aumento de 921 casos em relação ao ano anterior. De acordo com os dados, as mortes solitárias corresponderam a quase 40% das 204.562 mortes analisadas pela polícia no país ao longo de 2025.

Os maiores números foram registrados entre idosos. Pessoas com 80 anos ou mais representaram 26.445 casos, enquanto 24.416 ocorreram entre indivíduos na faixa dos 70 anos. Também foram contabilizadas 14.183 mortes entre pessoas na faixa dos 60 anos, 7.568 entre pessoas na casa dos 50, 2.382 na faixa dos 40, 975 entre indivíduos na casa dos 30, 753 entre pessoas na faixa dos 20 e 57 casos envolvendo adolescentes ou pessoas mais jovens.

O levantamento mostra ainda que a população em idade ativa, entre 15 e 64 anos, respondeu por 17.860 mortes solitárias, mais de 20% do total registrado.

Em relação ao tempo até a descoberta dos corpos, 28.398 pessoas foram encontradas no mesmo dia da morte estimada ou no dia seguinte. Outras 15.865 foram localizadas após dois ou três dias, enquanto 10.456 foram encontradas entre quatro e sete dias depois.

Nos 22.222 casos em que a descoberta ocorreu somente após oito dias ou mais, pessoas com 65 anos ou mais representaram mais de 70% das vítimas. Em 7.148 ocorrências, os corpos só foram encontrados depois de um mês ou mais. Em 208 casos, a localização ocorreu após período superior a um ano.

A Agência Nacional de Polícia divulgou estatísticas anuais sobre mortes solitárias pela primeira vez em 2025. Um grupo de trabalho ligado ao gabinete do governo recomendou o período de oito dias ou mais como referência para definir mortes isoladas. Segundo integrantes do grupo, a ausência de contato ou verificação durante esse intervalo sugere que a pessoa vivia em condição de isolamento social.

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