Proposta de rodoanel busca melhorar mobilidade na região de Rio Preto
A construção de um rodoanel na Região Metropolitana de São José do Rio Preto é a alternativa para enfrentar os problemas de mobilidade, afirma o vereador Doutor Tedeschi-PL. A ideia é desviar o tráfego de passagem das áreas urbanas, reduzindo congestionamentos e acidentes.
Atualmente, rodovias importantes que cruzam o Noroeste Paulista passam pelo perímetro urbano da cidade, concentrando alto volume de veículos. Em alguns trechos segundo a Agência Reguladora de Serviços Públicos Delegados de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp), o fluxo chega a cerca de 55 mil veículos por dia no trecho urbano na Washington Luíz, gerando lentidão e aumentando o risco de acidentes no trânsito.
Grande parte desse movimento é formada por veículos que não têm Rio Preto como destino final, o que sobrecarrega o sistema viário local. Um exemplo é o trajeto entre Rio Preto e Mirassol pela rodovia Washington Luís, onde, em horários de pico, o tempo de deslocamento pode quadruplicar.
O projeto prevê um eixo viário ao redor da cidade, interligando rodovias e municípios como Onda Verde, Ipiguá, Mirassolândia e Bálsamo, além de cidades como Mirassol, Jaci, Bady Bassitt e Potirendaba, com passando por Cedral e Guapiaçu, voltando à rodovia Assis Chateaubriand.
Além de aliviar o trânsito, a proposta busca melhorar a logística regional, facilitando o transporte de cargas e fortalecendo setores como agronegócio, comércio e indústria. A expectativa é de redução no tempo de deslocamento e melhoria na mobilidade diária da população.
Pensar em um rodoanel para a Região Metropolitana de São José do Rio Preto é debater uma das intervenções mais transformadoras possíveis para o futuro da região. Como um dos principais polos do interior paulista e um entroncamento rodoviário crucial (cortado por rodovias como a Washington Luís e a BR-153), a cidade sofre com a mistura do trânsito urbano diário e o tráfego de passagem intermunicipal e interestadual.
Dentro de um Plano Diretor de Mobilidade Urbana e de Desenvolvimento Econômico, a importância de um rodoanel se divide em eixos estratégicos muito claros:
1. Mobilidade Urbana: A Separação de Fluxos
- Descompressão das Vias Centrais: O principal benefício imediato é tirar o tráfego pesado (caminhões e carretas) de dentro do tecido urbano. Isso alivia o estrangulamento em horários de pico nas principais avenidas e trechos urbanos das rodovias.
- Redução de Acidentes e Manutenção: Com menos veículos pesados disputando espaço com carros de passeio, motos e pedestres, os índices de acidentes caem drasticamente. Além disso, o asfalto das vias urbanas, que não é projetado para suportar carga contínua de grande tonelagem, ganha uma vida útil muito maior, reduzindo custos de manutenção para a prefeitura.
- Eficiência do Transporte Público: Com vias mais livres, o transporte coletivo municipal e intermunicipal ganha velocidade comercial, tornando-se mais previsível e eficiente para a população.
2. Desenvolvimento Econômico: Novos Vetores de Crescimento
- Competitividade para o Agronegócio e Indústria: Para uma região com vocação histórica e forte atuação no agronegócio, a logística é tudo. Um anel viário facilita o escoamento rápido de safras, insumos e produtos industrializados em direção a portos e outros estados, reduzindo o custo de frete (o chamado “Custo Brasil”) por evitar que os caminhões fiquem presos no trânsito da cidade.
- Vetor de Expansão e Atração de Investimentos: A construção de um rodoanel invariavelmente cria novas centralidades. As áreas adjacentes às novas alças de acesso tornam-se altamente atrativas para o desenvolvimento de condomínios logísticos, centros de distribuição e parques industriais. Isso atrai empresas que buscam fácil acesso rodoviário sem os custos de estar dentro da cidade.
- Valorização Imobiliária: Do ponto de vista de investimentos e fundos imobiliários, a infraestrutura altera a dinâmica de uso do solo. Regiões antes periféricas ou de uso estritamente rural ganham potencial para novos loteamentos, complexos comerciais e polos de serviços, valorizando a terra e gerando novas oportunidades de negócios e arrecadação (IPTU/ISS) para os municípios da região metropolitana.
3. O Papel no Plano Diretor
Para que o rodoanel seja um sucesso, o Plano Diretor precisa “conversar” com ele. Isso significa estabelecer um zoneamento rigoroso para evitar que a cidade engula a nova rodovia — um erro comum no Brasil, onde anéis viários acabam virando grandes avenidas urbanas com o tempo, perdendo sua função original. É preciso definir áreas de proteção, zonas estritamente industriais e limitar a expansão residencial desordenada nas margens da rodovia.
‘Em resumo, um rodoanel não é apenas uma obra de pavimentação; é uma ferramenta de reorganização espacial que prepara São José do Rio Preto e seus municípios vizinhos para as próximas décadas de crescimento’, diz o vereador Doutor Tedeschi.
