Quase metade dos estrangeiros no Japão relata discriminação, aponta pesquisa
Dificuldades para alugar imóveis, problemas no trabalho e discursos de ódio seguem entre os principais desafios enfrentados por residentes estrangeiros no país
Quase metade dos estrangeiros que vivem no Japão afirmou já ter sofrido algum tipo de discriminação no cotidiano, segundo pesquisa divulgada nesta terça-feira (19) pela Agência de Serviços de Imigração do Japão. O levantamento revela que barreiras relacionadas à moradia, ao ambiente profissional e à convivência social continuam presentes mesmo diante do aumento da população estrangeira e dos esforços do governo para ampliar a integração no país.
A pesquisa foi realizada entre outubro e novembro de 2025 com estrangeiros residentes e residentes permanentes especiais com 18 anos ou mais. Ao todo, 20 mil questionários foram enviados, dos quais 8.874 tiveram respostas válidas.
De acordo com os dados, 47% dos participantes disseram ter passado por alguma situação discriminatória no Japão. Outros 53% afirmaram não ter enfrentado esse tipo de experiência. O percentual dos que não relataram discriminação caiu 0,8 ponto percentual em comparação com o levantamento anterior.
O principal problema apontado pelos entrevistados foi a dificuldade para encontrar moradia. Cerca de 19,4% disseram ter sofrido discriminação ao tentar alugar imóveis. Em muitos casos, estrangeiros relatam recusas diretas por parte de proprietários ou imobiliárias, além da exigência de condições consideradas mais rígidas do que aquelas impostas a japoneses.
Questões relacionadas ao trabalho também aparecem entre os principais focos de insatisfação. Segundo a pesquisa, 17,5% afirmaram ter enfrentado discriminação no ambiente profissional, enquanto 13,2% relataram dificuldades durante processos de contratação ou busca por emprego.
Como o levantamento permitia múltiplas respostas, os participantes também indicaram quem praticou os atos discriminatórios. Pessoas desconhecidas lideraram as citações, com 44,8%, seguidas por colegas ou superiores ligados ao ambiente de trabalho, com 35,9%. Profissionais do setor imobiliário apareceram em seguida, com 23,8%, enquanto funcionários de lojas foram mencionados por 22,1%.
O estudo também abordou episódios relacionados a discurso de ódio contra estrangeiros. Segundo os dados, 43,9% disseram já ter sofrido pessoalmente ou presenciado ataques desse tipo contra outras pessoas. Entre os entrevistados, 12% afirmaram ter sido alvo direto de manifestações discriminatórias, índice 0,7 ponto percentual menor que o registrado no ano anterior.
A internet foi apontada como o principal meio de disseminação desse tipo de conteúdo. Entre os que relataram contato com discursos de ódio, 71,4% citaram redes sociais, sites e plataformas online como origem das mensagens ofensivas.
Apesar dos episódios relatados, a percepção geral sobre a vida no Japão segue majoritariamente positiva entre os estrangeiros entrevistados. A pesquisa mostrou que 52,8% se declararam satisfeitos com a vida no país, enquanto 38,2% disseram estar parcialmente satisfeitos, totalizando 91% de avaliações favoráveis.
Entre os fatores mais valorizados estão a segurança pública, a limpeza das cidades e a afinidade com aspectos da cultura japonesa. O resultado reforça um cenário contraditório: embora muitos estrangeiros considerem o Japão um lugar seguro e organizado para viver, parte significativa ainda relata obstáculos relacionados à aceitação social e à convivência diária.
