Ministério Público abre investigação do caso do Estacionamento da Cidade da Criança

Promotoria abre inquérito para apurar uso de área pública por entidade de outra cidade e envolvimento de servidores

Facebook/Divulgação

O Ministério Público (MP) de Rio Preto abriu uma investigação oficial para entender como o espaço da Cidade da Criança virou um estacionamento pago no começo deste mês no show da banda Guns N’ Roses. O promotor Carlos Gilberto Menezello Romani decidiu abrir um Inquérito Civil depois de receber informações de que a área pública foi usada para cobrar de motoristas durante um evento no dia 7 de abril de 2026. A suspeita é que tudo aconteceu apenas com uma autorização simples dada pelo então Secretário de Esportes, sem seguir as leis que mandam fazer concurso ou chamamento público.

De acordo com o documento do Ministério Público, não houve nenhum aviso oficial ou edital para que outras entidades da cidade pudessem participar e tentar o serviço. A escolhida foi uma entidade chamada Guasomafe, também conhecida como Terra do Sol Nascente, que fica na cidade de Guaraci. O promotor estranhou o fato de a entidade ser de fora, funcionar em um endereço residencial e não ter atividades comprovadas desde o ano de 2024. Enquanto isso, muitas entidades de Rio Preto ficaram sabendo do caso apenas pela televisão ou jornais.

A investigação também foca na conduta de funcionários públicos. O Ministério Público recebeu provas de que um servidor comissionado da Câmara Municipal trabalhou pessoalmente no estacionamento, ajudando a organizar os carros e recebendo pagamentos. Foi descoberto que ele chegou a receber pelo menos 100 reais via PIX em sua conta bancária particular, o que é proibido. O promotor quer saber se esse servidor usou o cargo para ganhar dinheiro de forma errada e se existem ligações políticas ou pessoais que facilitaram a escolha da entidade.

Depois que o caso apareceu nas notícias, tanto o Secretário de Esportes quanto o servidor da Câmara pediram demissão de seus cargos. No entanto, o promotor Romani explicou que a saída deles não impede que eles sejam responsabilizados pelos atos que cometeram quando ainda estavam trabalhando na prefeitura e na câmara. O Ministério Público decidiu agir agora porque, em quase 15 dias de polêmica, nenhum dos envolvidos explicou direito o que aconteceu e a Câmara Municipal não conseguiu abrir uma CPI para investigar o assunto.

Para começar a ouvir os envolvidos, o promotor marcou depoimentos para o dia 6 de maio de 2026, a partir das duas horas da tarde. Foram chamados Kleber Fernando Trindade Mello, conhecido como Klebinho Kizumba, que era o Secretário de Esportes, e José Luis Pereira, que era o Secretário de Finanças da Câmara. Também devem prestar depoimento o assessor Egídio Roberto Antunes e a dona da entidade Guasomafe, a senhora Efigênia Cristina. O promotor também sugeriu que José Luis Pereira leve seus extratos bancários do banco Bradesco para mostrar quanto dinheiro entrou em sua conta durante os dias do evento.

O Inquérito Civil tem o prazo de um ano para ser terminado. Se o Ministério Público encontrar provas de que houve crime ou desrespeito às regras da administração pública, o caso pode virar uma ação na Justiça.

Fonte: Jornal Fato News

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