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ESCÂNDALO NO JAPÃO: Membros do partido anti-estrangeiros são punidos por fraude em seguro saúde

Sanseito expulsou e advertiu integrantes após descobrir uso de brecha para reduzir contribuições do sistema público japonês

Reprodução/X

O partido japonês Sanseito anunciou punições contra 10 integrantes da legenda após identificar um esquema utilizado para reduzir ilegalmente os pagamentos do seguro nacional de saúde no Japão, conhecido como kokumin kenko hoken. As medidas foram divulgadas na semana passada durante uma coletiva de imprensa.

Segundo o partido, vereadores municipais e dirigentes receberam punições que incluíram recomendações de desligamento e expulsões da legenda. “Consideramos que isso é responsabilidade da executiva do partido. Gostaria de aproveitar esta oportunidade para pedir desculpas a todos”, afirmou o líder do Sanseito, Sohei Kamiya.

De acordo com informações divulgadas pela TV Asahi, os casos envolveram oito vereadores municipais de seis províncias japonesas, incluindo Ibaraki e Saitama, além de dois dirigentes partidários.

O Sanseito ganhou projeção nacional nas eleições do ano passado após campanhas com discurso crítico à imigração e aos estrangeiros no Japão.

Como funcionava o esquema

O método utilizado é conhecido no Japão como “kokuho nogare” (国保逃れ). A prática ocorre quando políticos ou trabalhadores autônomos passam a ocupar formalmente cargos em empresas sem exercer atividades reais. Com isso, deixam de contribuir pelo sistema nacional de saúde destinado a autônomos, geralmente mais caro, e passam a pagar valores menores por meio do seguro social corporativo, chamado shakai hoken.

Segundo Kamiya, os envolvidos recebiam cargos simbólicos em empresas apenas para aproveitar essa brecha legal e reduzir os custos mensais com o sistema de saúde. “Consideramos extremamente inadequado que membros do partido ou vereadores filiados tenham utilizado esse tipo de método para não pagar corretamente os valores devidos”, declarou.

O presidente do partido revelou ainda que alguns envolvidos conseguiram reduzir os pagamentos mensais entre ¥20 mil e ¥40 mil (R$ 633 a R$1.267) em comparação aos valores cobrados pelo seguro nacional tradicional. De acordo com a investigação interna da legenda, o caso mais antigo teria começado em setembro de 2023, enquanto o episódio mais recente ocorreu em junho de 2025.

Partido iniciou investigação após escândalo semelhante

O Sanseito informou que decidiu abrir uma investigação interna em março deste ano, após casos parecidos envolvendo o partido Nippon Ishin no Kai se tornarem públicos. Apesar das punições, Kamiya afirmou que caberá individualmente a cada vereador decidir se irá ou não renunciar ao cargo público.

Um dos políticos punidos foi Suguru Nito, vereador da cidade de Ota. Ele afirmou que não considerava a prática ilegal e disse que pretende continuar exercendo seu mandato. “Reflito sobre isso como uma atitude impensada. Neste momento, não considero renunciar ao cargo. Quero continuar meu trabalho no legislativo e recuperar a confiança”, declarou.

Como resposta ao escândalo, o partido anunciou novas medidas internas de controle. A partir de agora, candidatos eleitos terão a situação do seguro de saúde monitorada pela legenda, e qualquer alteração deverá ser comunicada oficialmente ao partido.

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