Red flag para Cazarré e vitória para Ana Paula

Homens que se posicionam são vistos como fortes. Homens de verdade. Homens.

Mulheres, na mesma situação, são rotuladas como difíceis. É aí que o sexismo e o machismo se revelam.

A campeã do BBB, Ana Paula Renault, foge ao estereótipo da mulher bela, recatada e do lar. É solteira, livre e firme em seus posicionamentos. Não baixa a cabeça — muito menos para o machismo.

Assistir a Ana Paula pode ter sido gatilho, em muitos momentos, para muitas mulheres aqui fora. Ela foi criticada por não ser mãe, por exemplo — como se a maternidade fosse condição para que uma mulher fosse completa. Ou seja, faltaria algo a Ana Paula por não ser mãe, por não ser casada, por não ser recatada, por não ser “adequada” ao padrão feminino que a sociedade insiste em impor.

Coincidentemente, surge um ator defendendo a “preservação” da masculinidade. E, sem surpresa alguma, lançando um curso — um encontro — para esse “propósito”.

O fato é que, em um país onde o número de feminicídios só cresce, ainda há homens preocupados em medir a masculinidade alheia. E, como se não bastasse, também criticam mulheres como Ana Paula, que lutam pelo básico.

Porque, no fim, nós, mulheres, estamos lutando pelo óbvio: o direito de viver.

E até quando alguns homens seguirão defendendo, direta ou indiretamente, o direito de continuar nos matando?

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