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Estátua de barata com braços de sumô vira atração em vila rural do Japão

Estátua de bronze criada como memorial para pragas passou a atrair visitantes do Japão e do exterior para templo em região afetada pelo despovoamento

Kyodo

Uma gigantesca barata de bronze com braços musculosos e postura inspirada em lutadores de sumô se transformou em uma atração turística inesperada no oeste do Japão. Instalada no Templo Rinsenji, na pequena vila montanhosa de Kamikitayama, a excêntrica estátua vem atraindo visitantes de diferentes partes do país e até turistas estrangeiros.

Conhecida como “Gokiburiten”, a chamada “divindade barata” foi criada originalmente há mais de 25 anos como um memorial dedicado às pragas exterminadas por empresas de controle de insetos. Com o passar do tempo, porém, a obra ganhou notoriedade nas redes sociais e passou a despertar curiosidade pela aparência incomum e pelo simbolismo peculiar.

A vila de Kamikitayama, localizada a cerca de duas horas ao sul da cidade de Nara, enfrenta há anos problemas ligados ao envelhecimento populacional e à redução do número de moradores. Cercada por montanhas e florestas, a comunidade viu o fluxo de visitantes aumentar graças à estátua instalada logo na entrada do templo.

A escultura mede cerca de 1,70 metro e apresenta uma barata humanoide com seis membros: quatro braços musculosos abertos em posição dramática e duas pernas firmes, lembrando a postura cerimonial de um lutador de sumô antes do combate.

O artista responsável pela obra, Hiroo Amano, afirmou que a intenção era criar uma representação poderosa e simbólica do inseto. Inspirado pelas expressões teatrais do Kabuki e pelas poses ritualísticas do sumô, Amano buscou transformar um animal normalmente associado à repulsa em uma figura quase sagrada. “Queria criar uma barata com aparência forte”, explicou o escultor.

Um dos detalhes mais curiosos da obra está escondido em seu abdômen: uma pequena cidade humana foi inserida dentro da estrutura da estátua. Segundo Amano, a ideia era inverter a perspectiva tradicional entre humanos e insetos. “Ao criar este memorial, pensei em retratar os humanos como parasitas da barata”, afirmou.

A estátua foi encomendada pela empresa Sono, sediada em Osaka, especializada em controle de pragas. O fundador da companhia, Ryozaburo Minamisono, contou que desejava criar algo totalmente fora do convencional. “Eu queria fazer algo completamente maluco”, disse, em tom descontraído.

A ligação entre a empresa e o templo surgiu por meio da amizade entre Minamisono e o antigo monge-chefe do Rinsenji, colegas de infância. A relação acabou levando à instalação da obra em novembro de 2000.

Desde então, a gigantesca barata ganhou fama gradualmente. Jovens japoneses passaram a visitar o templo para fotografar a escultura, enquanto turistas internacionais — incluindo visitantes da China e da Polônia — começaram a incluir a vila em seus roteiros.

Para os moradores locais, o monumento acabou se tornando mais do que uma curiosidade turística. Miho Kojima, esposa do antigo monge-chefe do templo, acompanha o movimento desde a instalação da estátua. Segundo ela, o local silencioso passou a receber conversas, encontros e visitantes constantes.

“Essa estátua é uma fonte de força para mim”, afirmou. Mais de duas décadas após sua instalação, a superfície da barata de bronze apresenta brilho intenso, resultado do toque constante de visitantes curiosos que se aproximam para observar os detalhes da obra.

Kojima afirma que espera que as pessoas continuem visitando o local e apreciem a escultura “como uma verdadeira obra de arte”.

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